SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO/2014

 

“O CONHECIMENTO E AS JUVENTUDES NO SÉCULO XXI”

02 e 04 de junho de 2014.

 

Programação:

 

2 de junho - 18h - 22h – Cerimônia de Abertura e Conferência

 

16h30 - Credenciamento

18h - 18h30 - Apresentação Cultural

18h30 - Cerimônia de Abertura

19h30 - Conferência: Juventudes & culturas no século XXI

Palestrante: Michel Mafesolli (França)

 

 

3 de junho - 8h30 às 12h – 13h30 às 18h – 19h às 21h – Palestras e Sarau

 

Painel manhã: O educador na construção do conhecimento & as juventudes no século XXI.

8h30 às 9h- Abertura com mediador, apresentação dos painelistas da mesa

9h às 10h - Susan Robertson (Inglaterra)

10h às 11h - Roger Dale (Inglaterra)

11h às 12h - Debate local e nas regiões

12h - 13h30 – Intervalo para almoço

 

Painel tarde: Organização curricular por ciclos de formação

13h30 às 14h - Boas Práticas (opção de receber a transmissão ou fazer a sua localmente)

14h às 14h30 - Abertura com mediador, apresentação dos painelistas da mesa

14h30 às 15h30 - Elvira Lima (Brasil)

15h30 às 16h30 - Andréa Rosana Fetzner (Brasil/UNIRIO)

16h30 às 18h- Debate local e nas regiões

18h às 19h - Intervalo com lançamento e distribuição do Livro O Ensino Médio e os Desafios da Experiência: movimentos da prática

 

  

4 de junho - 8h30 às 12h – 13h30 às 18h - Palestras e encerramento

 

Painel manhã: Crise e mudança no ensino médio

8h30 às 9h- Boas práticas (opção de receber a transmissão ou fazer a sua localmente)

9h - Abertura com mediador, apresentação dos painelistas da mesa

9h30 às 10h30 - Romualdo Portela (Brasil/USP)

10h30 às 11h30 - Maria de Guadalupe Lima (Seduc)

12h às 13h30 – Intervalo para almoço

 

Painel tarde: Educando para uma ação democrática

13h30 às 14h - Boas Práticas (opção de receber a transmissão ou fazer a sua localmente)

14h às 15h - Joel Westheimer (Canadá)

15h às 16h - Paulo Cesar Carrano (Brasil/UFF)

16h às 17h - Áttico Chassot (Brasil/IPA)

17h às 18h - Debate local e nas regiões e encerramento

 

 

Painel sobre Educação para ação democrática encerra Seminário Internacional

Os professores e pesquisadores Áttico Chassot, Joel Westheimer e Paulo Carrano encerraram o II Seminário Internacional de Educação da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), no Salão de Atos da UFRGS, no debate sobre o tema “Educando para uma Ação Democrática”. O último painel do Seminário teve mediação de Alejandro Jélvez, da Seduc, e da professora Rosa Maria Fischer, da UFRGS.

A primeira intervenção ficou a cargo do norte-americano radicado no Canadá Joel Westheimer, professor da de Ottawa e cofundador e diretor executivo do Democratic Dialogue, instância pesquisa colaborativa dedicada à exploração crítica de ideais democráticos na Educação e sociedade.

Westheimer trouxe para o debate reflexões sobre a relação entre a democracia na escola diante do processo de padronização crescente no meio escolar, em âmbito mundial. “A padronização proposta pelas políticas que fazem da educação um preparo para testes avaliativos contraria a imaginação e faz com que os professores percam sua autonomia”, alerta o professor norte-americano. Para Westheimer, é preciso reverter esta situação. “Nós criamos uma situação em que o que é avaliado por testes padronizados não serve para nada. Os testes dizem se o aluno sabe somar 3 + 3, mas não avaliam suas condições de pensar, analisar ideias e decidir”. O professor traz a público um ditado para destacar o desafio da escola. “Todo mundo gosta de ensinar o pensamento crítico, mas ninguém quer uma escola cheia de pensadores críticos. A reforma da educação atual indica que os legisladores estão levando este ditado muito a sério. Embora a educação provincial (e estadual) retórica quase sempre pregue a importância do pensamento crítico, antibullying e outros comportamentos pró-sociais e engajamento democrático, as políticas que realmente afetam a sala de aula de ensino correm em outra direção”, resume o pesquisador, para quem, “em função de uma visão míope em testes de matemática e alfabetização, está se tornando cada vez mais difícil refletir sobre a profunda consideração de ideias e controvérsias importantes. Os alunos estão sendo convidados a aprender a ler, mas não considerar o que vale a pena ler. Eles estão sendo convidados a se tornar proficientes em adicionar números, mas não a pensar sobre o que as respostas somam”, resume o professor.

O professor norte-americano há 15 anos estuda iniciativas de educativas norte-americanas e canadenses e seu impacto sobre a capacidade dos professores para conectar ensino com o desenvolvimento social, político e mundo econômico para além da escola. “Quase todas as declarações de missão das escolas nos dias de hoje possui objetivos gerais relacionadas ao pensamento crítico, a cidadania global, a gestão ambiental e caráter moral. No entanto, sob a retórica, as metas cada vez mais estreitas do currículo, medidas de responsabilização, e testes padronizados têm reduzido muitas lições em sala de aula para a fria busca gritante de informações e habilidades sem contexto e sem sentido social”, critica o pesquisador. Westheimer frisa que “há muitas estratégias disponíveis para ajudar os nossos alunos a aprender a pensar por si mesmos, e uma perguntas pode estar no centro do processo educativo: “Como eu devo viver?”.

Paulo Carrano, da Universidade Federal Fluminense (UFF), trouxe reflexões a partir da tese de que a escola deve existir para fazer com que os jovens sejam sujeitos de suas próprias vidas e promotores da democracia. Pesquisador de campo, Carrano frisa que a participação do jovem nas decisões deve ser estimulada. “Propiciar espaços-tempos educativos democráticos e promover processos de prendizagem para que os sujeitos reconheçam a si mesmos e aos outros deveria ser meta prioritária das instituições escolares”, sugere o professor, cuja ênfase de estudos consiste nos temas dos jovens e da juventude e nas relações entre territórios, cidades e educação.

O painel se encerrou com a participação do professor Áttico Chassot, do Centro Metodista, IPA, para quem o maior desafio da escola consiste em ultrapassar o trabalho pedagógico a partir das disciplinas, chegando ao que chama de indisciplina. “O in significa tanto dentro de quanto trazer para dentro mas, fundamentalmente, negar a coerção que o trabalho pelas disciplinas traz para a escola. É preciso trabalhar de forma conjunta, pelas áreas o conhecimento”, enfatiza o professor. Chassot pergunta: a escola mudou ou foi mudada? “Há dez anos a escola era centro irradiador do conhecimento. Hoje, ela é assolada pela informação. É preciso agir a partir desta realidade”, enfatiza o mestre gaúcho.

O painel foi seguido de debate com o público. O Seminário será encerrado no final da tarde, pelo secretário estadual da Educação, Jose Clovis de Azevedo.

 

Fonte: site da SEDUC/RS