2ª CRE realiza formação sobre gênero e sexualidade

23/10/2013 09:31

 

 

Dando continuidade ao Programa de Formação sobre Diversidades e Transversalidades, a 2ª Coordenadoria (CRE) promove hoje (23) o segundo módulo temático, sobre gênero e sexualidade, no auditório do Colégio São Luís, em São Leopoldo. O primeiro módulo, que ocorreu em 08 de outubro, trouxe ao debate a mediação de conflitos escolares. O terceiro módulo da formação continuada será sobre Ensino Religioso, Educação Ambiental e Educação Afr0-Brasileira, no dia 01 de novembro.

Cerca de 50 participantes das escolas de abrangência da 2ª CRE discutiram com os palestrantes André Musskopf, do Programa de Gênero e Religião das Faculdades EST, e Vera Martins, da Feevale, as origens e o desenvolvimento dos conceitos de gênero e sexualidade. Vera enfocou a questão dos discursos sociais que incidem sobre os corpos biológicos e que vão construindo as identidades de gênero, delineando, assim, os papéis sociais desempenhados por homens e mulheres. O problema, de acordo com Vera, é que os discursos vão naturalizando os comportamentos, como se estes tivessem uma realidade ontológica, intrínseca e apriorística. “Não podemos esquecer que os discursos que circulam nas diferentes esferas cumprem agendas políticas e que naturalizam relações de poder assimétricas”.

Musskopf desafia a polarização redutora de gênero, que aloca definitivamente os seres humanos em um dos polos (feminino ou masculino), relegando todos os que não se encaixam nestes polos à categoria de “esquisitos” e “anormais”. O pesquisador compara as expressões de gênero à comida: “cada experiência com a comida é única, as pessoas comem de maneiras diferentes, em lugares diferentes e desenvolvem gostos diferentes. Além disso, junto com a comida, as pessoas “comem” as memórias da infância, as relações familiares, os afetos, o mundo”, ilustra. O mesmo acontece com a sexualidade, cada pessoa a vivencia de forma diferente e todas as formas são legítimas e devem ser respeitadas. Assim, transportando para a sala de aula, quando um aluno se manifesta como homossexual, o que o professor precisa fazer é oferecer um ambiente seguro para essa expressão, não tolerando, sob hipótese alguma, o preconceito e a discriminação.

A coordenadora da 2ª CRE, Rosana Santos, enfatizou, na sua saudação inicial, a necessidade de a escola ser, de fato, inclusiva. “A escola não pode ser reprodutora de normas excludentes e nem tampouco negar aos alunos a possibilidade de se expressarem de maneiras diversas”. Rosana também disse que é preciso parar com o discurso paternalista da ‘tolerância’: “quem tolera algo ou alguém, se coloca, automaticamente, em uma posição superior, de julgamento e de condescendência. Mais do que tolerar, precisamos desejar a diversidade e reconhecer nela a riqueza da vida em sociedade.”.

Para a professora da Escola Técnica de Portão, Claudia Aline Spengler de Lima, encontros sobre a temática ajudam os professores a se desprenderem de práticas conservadoras, machistas e sexistas: “a diversidade está na sala de aula, bem na nossa frente; precisamos estar preparados para lidar com ela e os próprios alunos nos ajudam nesse processo, pois eles são mais abertos”, avalia. De acordo com a assessora das diversidades da 2ª CRE, Euli Necca Steffen, os momentos de formação oportunizam vivências que fortalecem os professores, preparando-os para a superação de paradigmas culturais que não respondem mais às grandes questões da contemporaneidade.

 

Jornalista responsável: Mariléia Sell