Alunos do Programa Brasil Alfabetizado da 2ª CRE realizam feira de artesanato

15/04/2014 09:21

Alunos do Programa Brasil Alfabetizado da 2ª CRE realizam feira de artesanato

 

Um colorido diferente chamou a atenção do público que passa pelo pátio da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) nesta terça (15). Trata-se de uma exposição de artesanato, organizada pelos alunos e professores do Programa Brasil Alfabetizado (PBA) de São Leopoldo e de Taquara. São em torno de 80 alunos, organizados em turmas de institutos penais, associações de bairros, CTGs e aldeias indígenas.

A exposição, de acordo com a coordenadora do PBA da 2ª CRE, Láusea Verônica Hörbe, é uma iniciativa que busca dar visibilidade aos diferentes saberes que os alunos têm e trocam entre si nos grupos. A professora Liliana Lopes, de Taquara, enfatiza a importância de adaptar as práticas pedagógicas, porque os alunos já têm muitas vivências e muitos conhecimentos. Liliana explica que aproveita os conhecimentos dos alunos para desenvolver projetos, como é o caso das ervas medicinais. Na turma de alfabetização do instituto penal de Taquara, os 15 alunos, entre 24 e 64 anos de idade, criaram um alfabeto de ervas e, conforme a professora, isso foi significativo para eles porque o conteúdo esteve ligado à vida.

Para as alunas Elizete Mendes Dolores (41) e Ângela Margarete de Almeida (44), o PBA é uma oportunidade de aprendizado, pois ambas não tiveram a chance de estudar na infância. Elizete descreve a sua alegria por ter aprendido a escrever: “meu sonho era ler e cantar os hinos da igreja”, diz. Já Ângela comemora a sua aprendizagem mais recente: “eu não era boa em matemática e não sabia fazer contas de diminuir, agora sou uma expert”, comemora.

A assessora da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e do PBA da Secretaria e Educação do Estado (Seduc), Lara Viscardi, esclarece que o Programa busca inserir as pessoas socialmente. No caso dos apenados, Lara ressalta que todos querem recomeçar, mas que ainda há muita resistência por parte dos empregadores em aceitar esses trabalhadores. “Dentro da prisão eles trabalham para uma série de empresas, mas quando saem, elas não querem mais empregá-los e, muitas vezes, ocorre a reincidência no crime”, explica.

 

 

Jornalista responsável: Mariléia Sell