Assessora da Educação do Campo dá palestra na Unisinos

30/04/2013 08:17

Nesta segunda-feira (29) a assessora da Educação do Campo da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Sílvia Tolentino, palestrou para alunos, professores e coordenadores do Curso de Pedagogia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS).

Sílvia contextualizou a educação do campo nos últimos 40 anos, apresentando as políticas públicas voltadas para essa área. Além da retomada histórica, a assessora também relatou a experiência da 2ª CRE na implementação do Pronacampo.

Até bem recentemente, as políticas públicas para a educação na zona rural resumiam-se ao transporte escolar, realidade que só foi mudada a partir de uma ampla pesquisa realizada pelo Conselho Nacional da Agricultura (CNA), que constatou o completo abandono das escolas do campo.

O resultado da pesquisa e de diversos movimentos sociais culminou na sanção do decreto 7.352, em 2010. O decreto lançou as bases para o Pronacampo, que assume uma nova concepção de educação do campo, contemplando as especificidades da zona rural. “A proposta é valorizar o campo. Agora pensamos o campo para o mundo e não o mundo para o campo”, assinala Sílvia.

A 2ª CRE tem 24 escolas do campo. Em 2012 foi realizada uma pesquisa socioantropológica com o objetivo de reconhecer as realidades do campo e contemplá-las no currículo e nos Planos Políticos Pedagógicos das escolas. Foram também realizadas oito formações para os professores do Campo, que culminaram com uma atividade de integração e divulgação dos trabalhos realizados pelas escolas: o Dia do Campo. Sílvia destaca que os resultados deste trabalho já apareceram: “as escolas do campo são as que têm o maior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB)” da Coordenadoria.

Sílvia Tolentino aproveitou também o encontro com os alunos para apresentar os primeiros livros didáticos elaborados especificamente para as escolas do campo. O material, de acordo com a assessora, tem o objetivo de resgatar a autoestima das pessoas do campo, partindo da sua realidade social, política, cultural e ambiental, seus saberes, suas práticas locais e seus conhecimentos empíricos. O livro didático contempla as identidades dos sujeitos do campo, que passam a se enxergar nos currículos escolares. “Essa iniciativa é um passo significativo para acabarmos com a violência simbólica para com as crianças do campo. O Pronacampo não aceita mais um currículo excludente, violento e urbanocêntrico”, reflete Sílvia.

Para a estudante de Pedagogia, Sirlei Locher, a proposta é fantástica, pois apresenta um eixo multidisciplinar, que valoriza o campo, a terra, a natureza e os diferentes ambientes em que estamos inseridos. “Pena que ainda são poucas as pessoas que conhecem o Programa, precisamos divulgar algo que é tão positivo na educação.