Coordenadora da 2ª CRE visita Escola Alberto Schweitzer, em Santa Maria do Herval

10/09/2014 11:26

 

Em visita ao município de Santa Maria do Herval, a titular da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) foi conhecer de perto o trabalho da Escola Alberto Schweitzer na última quarta, (10). A Escola, que existe desde 1901 e já passou por vários prédios, atende a 121 alunos do Ensino Fundamental.

A Escola fez adesão ao Programa Mais Educação e passará a atender os alunos no contraturno. A diretora da Escola, Margarete Capeletti Lechner, comemora essa conquista: “os pais, na sua maioria, trabalham na indústria e não têm onde deixar seus filhos no turno inverso às aulas”.

Marinês aproveitou a passagem pela escola para conversar com os alunos. De acordo com a professora de Português, Mabel Dewes, os alunos, na sua grande maioria, falam a variante linguística do hunsrik (do alemão) e isso é valorizado pela escola. O acervo da biblioteca confirma isso: lá é possível encontrar uma versão do Pequeno Príncipe (Te Kleene Prins) traduzida para o hunsrik pela própria professora, em coautoria com a presidente do Museu local, Solange Maria Hamester Johann. Embora os alunos não tenham aula de hunsrik, eles são incentivados a falar a língua na sala de aula e já têm a consciência da importância desse inventário linguístico: “eles são bilíngues e isso é muito valioso”, ressalta Mabel.

 

Visita ao Museu Professor Laurindo Vier

 

 

 

 

diretora do museu apresentando a obra O Pequeno Príncipe, traduzida para o hunsrik
 

Para conhecer melhor esse trabalho de resgate do hunsrik, Marinês Pariz visitou também o Museu Local, presidido pela professora de História e Letras, Solange Maria Hamester Johann. O Museu abriga o maior acervo de arquitetura germânica do mundo e vem desenvolvendo um trabalho pioneiro, reconhecido internacionalmente, com o resgate da variante da língua alemã: o hunsrik. De acordo com Solange, a cidade já recebeu visitas de doutores em Linguística do mundo todo para ver de perto esse trabalho. Exemplo disso é a doutora Úrsula Wiesemann, de Berlin, que ficou por cinco anos em Santa Maria do Herval estudando o hunsrik e o projeto desenvolvido na cidade.

O projeto encabeçado por Solange está inserido em uma proposta da Sociedade Internacional de Linguística (SIL), que visa a registrar línguas ameaçadas de extinção. Solange explica que das cerca de sete mil línguas existentes no planeta, somente duas mil são documentadas. Em conformidade com os PCNs e com a Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, Solange reflete sobre a importância de as crianças de origem germânica terem os seus conhecimentos linguísticos reconhecidos pela escola. “A criança que chega à escola para ver que os seus conhecimentos já adquiridos em casa não valem nada fora, dificilmente pode desenvolver a autoconfiança necessária para ter uma vida realizada. Diante dos problemas normais de toda a vida humana sempre se achará insuficiente. Isso pode levá-la ao desespero, simplesmente porque a alfabetização foi feita numa língua que ela desconhece ou conhece mal. Assim, esperamos que nosso trabalho possa ser útil para uma nova escola brasileira, a escola que alfabetiza na língua materna do aluno”.

As propostas vanguardistas de Santa Maria do Herval precisam ser multiplicadas, de acordo com Marinês Pariz. Para isso, a coordenadora da 2ª CRE já está pensando em uma formação com todas as escolas para tornar o projeto conhecido. “Muitas das nossas 170 escolas estão inseridas em comunidades com descendência germânica e a valorização da língua materna pelas escolas é um conceito linguístico moderno, que deve ser expandido e incentivado”, acredita.

 

Fotos:

Visita ao museu Profº Laurindo Vier

Visita à Escola Alberto Schweitzer

 

 

 

Jornalista responsável: Mariléia Sell