Coordenadoria de São Leopoldo promove formação para professores da EJA

16/07/2013 11:34

Mais de 250 professores da 2ª região escolar discutem hoje (16) a metodologia, a avaliação e os planos de estudos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), no auditório do Colégio Sinodal, em São Leopoldo. O evento de qualificação integra a semana de formação pedagógica da Rede Estadual de Ensino. A semana é dividida em duas etapas: na primeira (2ª, 3ª e 4ª feira) acontecerão formações organizadas pelas Coordenadorias Regionais de Educação e na segunda etapa (5ª e 6ª feira) acontecerá o Seminário Internacional de Educação, promovido pela Secretaria de Educação do Estado (SEDUC). Amanhã (quarta) a temática da formação da 2ª CRE será a educação profissional e na quinta-feira será discutida a pesquisa socioantropológica nas séries finais do ensino fundamental.

A palestrante Aline Cunha, da Faculdade de Educação da UFRGS, desenvolveu as temáticas do encontro da EJA a partir da poesia “Béradêro”,de Chico Cézar. O “beiradeiro” faz alusão àqueles que ficam à beira da sociedade: aos marginalizados, aos pobres, àqueles que ‘não aprendem’. Enfim, a todos aqueles que não têm o seu conhecimento legitimado pela escola e que não conseguem dialogar com o conhecimento erudito. A poesia desestabiliza a noção de que o conhecimento popular não tem valor: “uma moça cosendo roupa com a linha do equador”, traz entre as inúmeras mensagens possíveis a de que a costureira pode ir além das limitações do seu mundo. Da mesma forma, de acordo com Aline, os currículos devem contemplar as condições sociais dos alunos, não para lamentá-las, mas para complexizá-las e construir novos conhecimentos. “Os currículos devem apostar na capacidade criativa dos alunos e abandonar conteúdos escolares rasos, pensados a partir de uma perspectiva de déficit dos estudantes”.

Para refletir sobre os planos de estudos, Aline recorre novamente à poesia de Chico Cesar , que diz: “ E a voz da Santa dizendo: o que é que eu tô fazendo cá em cima desse andor”. O trecho faz menção à dessacralização, ou seja, à ideia de que é preciso descer do altar para ouvir a coletividade, o espectro de opiniões acerca de um tema assumido como “verdade”. “Precisamos adotar a postura freiriana de ‘pensar certo’, ou seja, pensar profundo, não aceitando informações de segunda mão, ou de currículos prontos”, reflete Aline. Para a professora Luciana Rodrigues, da Escola Estadual Bento Gonçalves, de Novo Hamburgo, “é impensável construir um currículo sem levar em conta os sujeitos do processo”. Para a professora a formação ajuda a pensar em como fazer isso, metodologicamente.

Assim como não se pode aceitar currículos prontos é preciso também abandonar a ideia de avaliação atrelada a uma ética redentora ou punitiva. Nesse sentido, é preciso descer do andor para ouvir a multidão. Em termos práticos, significa repensar a avaliação para que, de fato, ela seja um elemento constitutivo do processo de aprendizagem. A avaliação, de acordo com Aline, deve ser contínua e se valer de instrumentos variados, para potencializar aquilo que o sujeito já sabe e quebrar o mito da incompetência e do “não saber”. Ela, a avaliação, deve contemplar pelo menos três dimensões, de acordo com Aline: o professor avaliar os estudantes; os estudantes avaliarem a si mesmos e a seu aprendizado e os estudantes avaliarem o professor, com a finalidade de aprimorar a prática docente.