Fabrício Carpinejar faz palestra sobre bullying para alunos da 2ª CRE

28/04/2014 08:21

 

Fabrício Carpinejar faz palestra sobre bullying para alunos da 2ª CRE

 

 

Cerca de 200 alunos e professores das cidades de Montenegro, São Leopoldo e Novo Hamburgo, de abrangência da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), participaram, neta segunda (28), de palestra sobre bullying. O jornalista e escritor Fabrício Carpinejar palestrou para ensinar a comunidade escolar a “desarticular preconceitos”, sempre através do bom humor e da inteligência, como gosta de frisar. Carpinejar publicou recentemente o livro Filhote de Cruz Credo, em que traz a sua experiência pessoal com o bullying: “eu era vítima de bullying na escola e todas as semanas eu recebia um apelido novo”, conta.

Em tom descontraído e com uma plateia atenta, Fabrício foi mostrando como se defender de brincadeiras maldosas “tirando a piada” dos agressores. Um dos principais argumentos do palestrante é o de que aqueles que são alvos de brincadeiras ofensivas não devem se colocar na posição de vítimas. “Qual é a graça de uma brincadeira maldosa se não há uma vítima”? De forma prática, explicou como reagiu ao apelido “cara de panqueca”, um dos muitos que recebera na escola. “Olhei para a colega e disse: sim sou cara de panqueca. Quer me comer agora”? Com a teoria de que a linguagem é uma arte marcial, o jornalista acredita que ninguém pode afetar a nossa honra com apelidos pejorativos: “nossa honra é o nosso senso de humor”. As alunas Vanessa Alves Lemos e Juliane Medeiros da Silva, da Escola Ayrton Senna do Brasil, de Novo Hamburgo, entenderam o recado: “agora nos defenderemos sem revidar com violência”.

Em casos mais graves, em que há agressões físicas, é necessário pedir ajuda e acionar os professores, a equipe diretiva e os pais. A posição de observadores privilegiados coloca os professores na responsabilidade de identificar as situações de bullying na sala de aula e de tomar providências: “não há como não comprar essa briga e fingir que não viu”, alerta Fabrício. O mesmo se aplica quando a violência acontece no bairro, porque “é impossível pensar a escola sem a comunidade: a escola é uma política comunitária”, enfatiza. A diretora da Escola João Ribeiro, de Novo Hamburgo, Angelita Nogy, concorda com essa noção de que a escola e a comunidade são, na verdade, uma coisa só: “nossa escola encontrou maneiras conjuntas de trabalhar a violência e o nosso segredo para mediar conflitos é o diálogo”.

A palestra sobre bullying é uma das ações do Projeto Educar Sem Discriminar, da Secretaria de Educação do Estado e da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos e tem como objetivo desenvolver ações de prevenção e formação para a construção de ambientes sem discriminação. A mesma palestra acontecerá em todas as 30 coordenadorias de educação do Estado. O evento contou também com a presença da coordenadora da 2ª CRE, Rosana Chinazzo, da diretora da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), Eliene Amorim, e do representante das questões de gênero e homofobia da SJDH, Fábulo Nascimento.

 

 

Jornalista responsável: Mariléia Sell