Formação sobre religiosidade e educação afro-brasileira para professores da 2ª CRE

01/11/2013 09:06

 

 

Acontece hoje (01) o terceiro módulo da formação continuada sobre diversidades e transversalidades, no auditório do Colégio São Luís, em São Leopoldo. Cerca de 70 professores das escolas da 2ª Coordenadoria Regional de Educação puderam aprofundar aspectos relacionados à educação religiosa e afro-brasileira.

A palestrante Adevanir Aparecida Pinheiro, do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) da Unisinos, falou sobre as práticas pedagógicas que reforçam o racismo e sobre os silêncios e processos de invisibilização social dos negros e dos indígenas. Ela insistiu na ideia de que é preciso mudar os currículos escolares para mudar as relações raciais. “Não adianta falar sobre a questão do negro somente no mês da consciência negra”. Para Adevanir, muitas escolas trabalham o racismo de forma descontextualizada: “é preciso olhar para a criança que está na nossa frente, trazer para o centro do debate as grandes questões da atualidade como as cotas, por exemplo, e não ficar somente na cristalização das imagens da escravidão”. Ou ainda, no caso dos indígenas, colocar um cocar nas crianças no dia do índio e dar a questão como encerrada. A lei 10.639 preconiza que a temática precisa atravessar todo o Plano Político Pedagógico das Escolas (PPP), lembra Adevanir.

Para a professora Raquel Quadros, do Instituto Estadual Sapiranga, o encontro é valioso, pois instrumentaliza o professor para atuar de forma mais adequada na sala de aula. Para Raquel, o professor, muitas vezes, se preocupa tanto com os conteúdos que se esquece dos sujeitos vivos que estão na frente dele, “com suas histórias de vida, com suas heranças raciais, culturais e étnicas”. Adevanir concorda com essa percepção, dizendo que os professores precisam ter mais conhecimento da temática do negro, da legislação, dos documentos norteadores e dos autores que tratam do tema, enfim “o professor precisa se apropriar das ferramentas para mudar a sua prática e para não sentir um mal-estar pedagógico ao tratar do negro”, acredita.

À tarde, o grupo de professores reflete sobre a diversidade religiosa, com o coordenador geral do Programa Gestando o Diálogo Inter-Religioso e o Ecumenismo (GDIREC), da Unisinos, Irmão Inácio Spohr. O primeiro módulo da formação continuada foi sobre mediação de conflitos e o segundo, sobre gênero e sexualidade, somando 24 horas de formação para os professores da rede estadual de ensino. Para a coordenadora das diversidades na 2ª CRE, Euli Necca Steffen, as formações são pensadas justamente para instrumentalizar o professor na sua complexa tarefa: “os fenômenos sociais são multifatoriais e cheios de contradições e o professor precisa estar preparado para mediar as discussões em sala de aula de forma crítica e informada”, declara.

 

Jornalista responsável: Mariléia Sell