Michael Apple pergunta: a educação pode mudar a sociedade?

19/07/2013 08:34
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Pode a educação mudar a sociedade? Esta foi a frase inicial e central da intervenção do professor PhD
Michael Appel no Seminário Internacional de Educação promovido pela Secretaria de Estado da Educação nesta quinta-feira, 18, no Salão de Atos da UFRGS. Apple foi o conferencista da primeira noite do encontro pedagógico, que lota o auditório da Universidade. Para ele, sim, a educação pode mudar a sociedade na medida em que ela está inserida no contexto social. Mas não sozinha ou isoladamente. É preciso um esforço e uma aliança para garantir o respeito à diferença e os direitos das minorias. As escolas e a educação têm um papel chave na formação de identidades. E o professor tem papel fundamental nesse processo, destacou o norte-americano. Para ele, o currículo escolar é ferramenta para essa transformação. A educação precisa assegurar um rigoroso questionamento tanto em nossas instituições educacionais dominantes quanto na sociedade mais ampla e, ao mesmo tempo, precisa envolver profundamente, neste questionamento, aqueles que menos têm se beneficiado com os modos atuais destas instituições funcionarem.

"A ausência de cuidado, amor e solidariedade na educação é tão importante quanto a sua presença. Falando honestamente: a abertura à crítica não se restringe à ação política. É da vida. Eu e minha esposa, Rina Apple, que me acompanha aqui, somos pais de pessoas negras, e pudemos acompanhar o preconceito durante seu desenvolvimento. Isso não é educação. Não é uma coisa abstrata, é uma coisa viva. As crianças podem transformar a escola, e a escola tem de estar aberta a isso", afirmou categoricamente o reconhecido pesquisador e professor. Michael Apple é professor de Educação. Foi professor de escolas elementares e secundárias e presidiu um sindicato de professores nos Estados Unidos. Trabalha pelo mundo com governos, grupos dissidentes, sindicatos e universidades procurando democratizar a pesquisa, a política e a prática educacionais.

Atuando há mais de 40 anos na Universidade de Wisconsin-Madison, Apple leciona nos Departamentos de Ensino e Currículo e de Estudos de Políticas Educacionais da Faculdade de Educação. As áreas de atuação, teoria curricular, desenvolvimento e pesquisa e sociologia do currículo, embasam seu reconhecimento mundial. Seus principais interesses estão na relação entre cultura e poder na educação e na democratização política e prática educacional, e suas pesquisas têm como foco principal os limites e as possibilidades da política educacional crítica e prática em um tempo de restauração conservadora.

Nesta noite, o professor Doutor Honoris Causa da University of London começou sua fala pedindo desculpas à plateia por não falar português e declarou sentir-se em sua segunda casa. "Essa é parte de um projeto imperial norte-americano - achar que as crianças pobres dos EUA, como eu cresci, não precisavam falar outra língua que não o inglês, então não falo esta língua que eu adoro que é o português", disse.

Como resultado do seu contexto existencial, Apple elaborou sua pedagogia crítica, baseada na relação entre a educação e a sociedade, na análise relacional ou situacional. Autor de extensa obra, ele publicou, entre outros volumes, Ideologia e Currículo e Política Cultural e Educação. O primeiro é considerado um dos 25 mais importantes livros da educação ocidental. No segundo, situa sua visão da educação inserida em um contexto social, na interação com a sociedade.

O painel do professor Michael Apple foi apresentado pela secretária-adjunta da Educação do RS, Maria Eulalia Nascimento. Também participou da mesa o professor da UFRGS Luís Armando Gandin. A UFRGS e a Procergs são parceiras da Seduc na realização do Seminário Internacional, que terá atividades nos três turnos desta sexta-feira, 19.