Professores do Ensino Médio Politécnico têm formação pedagógica

27/09/2013 15:08

 Professores do Ensino Médio Politécnico têm formação pedagógica

 

Nesta terça-feira (27), 170 professores do Ensino Médio Politécnico tiveram encontro de formação pedagógica no auditório da Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, em Novo Hamburgo. Os professores foram saudados pela titular da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Rosana Santos, e puderam assistir a apresentações de danças da Escola Estadual Emílio Sander, de São Leopoldo.

O assessor pedagógico da Secretaria de Educação do Estado (SEDUC), Alejandro Jélvez falou aos professores sobre a importância da pesquisa científica interdisciplinar nas escolas. Ao abordar as etapas do método científico, Jélvez afirma que a construção do conhecimento se dará de forma mais efetiva somente se os alunos participarem do processo. “Para isso é preciso observar a realidade, os fenômenos concretos do mundo e não as anotações do professor no quadro”, enfatiza.

Um elemento filosófico e científico central para a construção do conhecimento é a curiosidade. E ninguém melhor para nos ensinar sobre ela do que as crianças, pois, de acordo com Rubem Alves, elas “ainda têm os olhos encantados e a capacidade de se assombrar diante do banal”. Por isso a importância de incentivar o pensamento científico nas escolas. De acordo com Alejandro, contudo, o que acontece, muitas vezes, é justamente o contrário: “se parte dos conceitos abstratos e depois se faz as perguntas, quando, na verdade, é preciso partir das perguntas”, ressalta.

Os alunos do Colégio Estadual Afonso Scherer, de Santa Maria do Herval, mostraram que são ótimos perguntadores. Oito estudantes do Ensino Médio apresentaram seus projetos de pesquisa para a plateia. Além do rigor do método científico, os alunos desenvolveram pesquisas com impacto na comunidade. “Pesquisamos temas que nos dizem respeito”, afirma a aluna do 1º ano, Eduarda Eich. Assim, os alunos investigaram a situação de balneabilidade do Rio Cadeia, já que a cidade tem um importante ponto turístico que é a cascata do Herval. Foram coletadas águas de três pontos diferentes, com densidades demográficas variadas. “De acordo com os resultados, podemos traçar estratégias de marketing divulgando a cidade e os seus balneários ou, então, podemos subsidiar os órgãos públicos para criar políticas de limpeza da água”, enfatiza o grupo de pesquisa. A segunda pesquisa apresentada estuda a relação do uso de agrotóxicos e a fertilidade do solo. Por fim, um terceiro grupo de alunos propôs um projeto de iluminação com energia solar em um trajeto da cidade que é pouco iluminado. Se alguém tem dúvidas sobre a relevância deste trecho, os alunos vão logo esclarecendo “precisamos passar lá para jogar bola”.

Além disso, de acordo com Tainá Daniele Werle e Taís Michele Werle, a turma se preparou durante dias para expor a pesquisa para uma plateia de professores: “tivemos de vencer o nervosismo e passamos muitas horas preparando o material”, relatam. Esses são alguns ganhos que os alunos têm, relata o professor de Metodologia Científica da Liberato, Anderson Farias. “A prática de apresentação dos trabalhos é muito importante, pois os alunos vão ganhando desenvoltura e se familiarizando com a necessidade de apresentar as pesquisas em feiras, congressos e salões”. Anderson também palestrou para os professores, retomando os passos do método científico e enfocando a importância das aprendizagens significativas para despertar o interesse dos alunos: “os alunos precisam conseguir estabelecer relações com o mundo, ver sentido nos conteúdos, caso contrário, não venceremos a apatia em sala de aula”, destaca.