Trabalho docente e avaliações são temas que abriram o segundo dia

22/07/2013 08:51
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A abertura do segundo dia de atividades do Seminário Internacional de Educação trouxe o debate focado nas avaliações e no trabalho docente. A manhã de sexta-feira (19) deu continuidade em introduzir formas de reflexão e discussão para compreender o momento da educação em nosso Estado.

O painel “Avaliação: controvérsias, perspectivas e impactos no trabalho docente, que teve a mediação da assessora técnica do gabinete do Departamento Pedagógico da Seduc, Rosa Mosna, e da coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS, professora Doutora Maria Stephanou, contou com a participação dos conferencistas: Gustavo Fischmann, PhD em Educação pela Universidade da Califórnia – Los Angeles, e Professor no Mary Lou Fulton Institute - Universidade do estado do Arizona e da Universidade da Califórnia; do diretor da Escola Profissional de Aveiro (Portugal) e doutor em Psicologia pela Universidade de Málaga Jorge Manuel de Almeida Castro; e de Maria Tereza Esteban, pós-doutorada pela Universidade Naconal Autonoma do México e Universidade do Minho, Doutora em Ciência da Educação e Filosofia pela Universidade de Santiago de Compostela e Professora na Universidade Federal Fluminense.

Os olhares dos mais de 1.000 educadores presentes no Salão de Atos da UFRGS fixaram nas alternâncias de opiniões e nas explanações de diferentes experiências trazidas pelos palestrantes. Dilemas e sentidos atuais da prática docente e do trabalho pedagógico como o exercido na Escola Profissional de Aveiro, e que o diretor Jorge Manuel de Almeida Castro destacou para falar sobre boas práticas. “Nosso modelo envolve toda a comunidade dentro da avaliação, ou seja, nessa dimensão a escola faz com que todos os segmentos sejam avaliados para uma contínua melhoria”, afirmou. Para Castro, o modelo de autoavaliação se prende a uma instituição que preza a qualidade e que mostra o papel de cada um sobre o processo educacional. “Geralmente se faz uma avaliação com enfoque no erro, nós valorizamos aquilo que nós propusemos fazer, e aquilo que não fazemos, para entender o que vamos fazer para alcançar a metas que nos propusemos”, completou. Esse modelo vem sendo aplicado na tradicional escola portuguesa há seis anos.

Maria Tereza Esteban apontou sua reflexão para a comparação entre avaliações participativas. “Essa avaliação vai demandar uma grande autonomia docente, um grande diálogo com a comunidade escolar, e um conjunto de ações que vai particularizar algumas práticas. E elas trarão a dinâmica da escola como centralidade”, disse. Durante a sua fala Esteban enfatizou o processo de diálogo e a consolidação dos processos democráticos, pontuando algumas questões sobre o fracasso escolar. “As avaliações classificatórias e hierárquicas trazem resultados individualizados, fragmentados, e oculta às múltiplas ações que reforçam o fracasso. Precisamos avançar nas transformações dentro do conceito de avaliação das práticas cotidianas”, concluiu.

Gustavo Fischmann trouxe questões para refletir a reforma estrutural e os desafios da descentralização educativa para o desenvolvimento de sistemas igualitários, principalmente sobre seus estudos acerca do sistema de ensino norte-americano. “As famílias e também os professores, estão pedindo a implantação de outro tipo de reforma e que se reavalie qual o principio pedagógico usado nestes testes de consequências severas. O atual modelo, com 20 anos de experimentação, não está produzindo ganhos pedagógicos, está aumentando as brechas entre as classes alta e baixa, e amplia cada vez mais o gasto educativo”, diagnosticou.

O seminário continua, a partir das 14h, com o painel: “Reestruturação curricular, trabalho pedagógico e mudanças educacionais: vínculos e desafios necessários”; e finaliza com o painel: “Dilemas e sentidos atuais do Ensino Médio e da Educação Profissional, a partir das 19h. O Seminário Internacional de Educação é uma realização da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e é transmitido para 54 salas descentralizadas pelo interior do Estado, alcançando a participação de 12 mil educadores.