Unisinos devolve resultados de pesquisa realizada em escolas de São Leopoldo

02/10/2013 16:08

Nesta quarta (02) a Unisinos apresentou para a 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) os resultados de uma pesquisa realizada em três escolas de Ensino Médio da rede estadual de São Leopoldo: Olindo Flores, CAIC Madezatti e Polisinos. O objetivo da pesquisa, desenvolvida nos anos de 2011 e 2012, era de mapear e avaliar a evasão no Ensino Médio. O critério de escolha das escolas, de acordo com a coordenadora do projeto, professora Rosângela Fritsch, se deu pelo maior número de alunos egressos da rede que ingressaram na Unisinos, em 2010.

As taxas de evasão e reprovação no país giram em torno de 20%, quando o esperado é de 3 a 5%. Este dado mostra que é necessário realizar uma força tarefa para enfrentar o problema. Rosângela salienta que o fracasso escolar no Ensino Médio se dá por diversas razões, entre as quais a formação básica insuficiente, as dificuldades financeiras das famílias, a necessidade de entrar para o mundo do trabalho, a falta de motivação e qualificação dos professores, dificuldades de transporte. Essa panorâmica revela um fracasso social que é transferido para o aluno e essa lógica perversa, de acordo com Rosângela, reforça a exclusão social.

Em 2011, o recorte da pesquisa eram os terceiros anos, para ver quais as maiores expectativas desse público em relação ao seu futuro. De acordo com a professora bolsista da Escola Olindo Flores, Vanda Duarte, a maior recorrência era o desejo de fazer faculdade. Isso, para Vanda, desmistifica a fala já naturalizada de que os jovens não querem nada com nada: “eles querem sim, eles têm sonhos e eles precisam do apoio dos professores”.

Em 2012, o objeto de pesquisa foram os primeiros anos do Ensino Médio, para ver o perfil da nova geração, sem entrar nas tipologias prontas como, por exemplo, a geração Y e a geração Z. Para Rosângela, compreender como pensam e como vivem os jovens, de forma situada, facilita na construção de políticas educacionais mais contextualizadas e, portanto, mais eficientes. Para tanto, a pesquisa etnográfica forneceu elementos importantes para repensar ações pedagógicas e gerar mudanças, salienta a coordenadora do projeto.

Além dos dados de ordem mais qualitativa, foi realizado um levantamento estatístico, que poderá servir de subsídio para as escolas para trabalharem a partir de sua realidade local. De acordo com o professor de estatística da Unisinos, Ricardo Viteli, os dados variam de escola para escola e a pesquisa mapeou indicadores como taxa de aprovação, de reprovação, de distorção idade-série, o percentual de alunos por sexo e por idade, entre outros. Para Viteli, faz toda a diferença ter acesso aos dados da própria escola para pensar em políticas pedagógicas. “Os indicadores em nível mais macro nem sempre contemplam as especificidades de cada comunidade escolar”, salienta.

 

Jornalista responsável: Mariléia Sell